Era uma calorenta tarde como de costume em nossa bela Iguaçu, o sol já estava em seu último tom antes de se recolher. Passava eu por uma rua de um bairro central da cidade quando parei o carro aos solavancos, quase não acreditei no que via, mais parecia uma miragem. Cactos? Disse eu para mim mesma, apesar de estar acompanhada por mais duas pessoas.
Parei o carro longe do meio fio o suficiente para levar uma multa de trânsito. Larguei a porta aberta e como que atraída me dirigi para um portão onde uma placa dizia “Recanto dos Cactos”. Nossa! Que paisagem é essa, como eu nunca tinha visto antes?
Ao entrar por uma passarela, em meio a 1600 espécies diferente de cactos veio ao meu encontro uma senhora, a dona Marlene, idealizadora do recanto acompanhada por dois pássaros tesourinha que voavam a seu lado como que dando tesouradas em seu cabelo. Surreal!
A simpática anfitriã nos recebeu com um abraço e logo nos contou a história de como surgiu o cactário. Disse que ela tinha sonhado anos antes com o local tal como ele é hoje. Logo vi que aquilo só poderia ser algo de sonho .
Naquele curto período que fiquei no local vi uma beleza que dói em flores delicadas e espinhos contundentes, principalmente se esbarrarmos neles que são o sistema de defesa das espécies. Os espinhos também são belos !
Então o sol se pôs e eu tive que partir. No dia seguinte voltei e levei comigo alguém que eu queria mostrar algo especial . Queria levá-lo sem enxergar . Imaginei que quando lá chegássemos ele abriria os olhos e teria uma estranha sensação. Mas ele não topou a brincadeira de ir de olhos vendados .
Voltei lá mais duas vezes. Gostei da história da dona Marlene, que ouvi em três ocasiões distintas sem, no entanto, perder a essência.