Aqui eu tinha doze anos, diz a menina. Convencionamos após o primeiro ano de vida contar sempre em anos inteiros a nossa idade, nunca acrescentamos os meses, dias, minutos e segundos que já vivemos . Se pensarmos um pouco veremos que só há um preciso e determinado momento de nossa existência que fazemos doze anos redondo , depois já será doze anos e um pouco mais, até inteirar treze.
A fotografia é sempre passado apartir do segundo que a sucede. Por isso dizem que o ato de fotografar tem a morte e a eternidade ao mesmo tempo. A morte daquele instante que jamais se repetirá e a eternidade com a possibilidade de rever aquela imagem no futuro.
Henri Cartier Bressom, único fotógrafo que ganhou o título de poeta da fotografia falava do momento decisivo na imagem onde um segundo a mais ou a menos mudaria completamente a cena.
Penso que na vida também é assim, tudo acontece em um momento . As vezes ficamos anos tentando decidir algo, e na tensão de um instante decidimos. É a gota de água que transborda o copo.
Imagino que a fotografia nos fascina tanto por esse levitar , pela possibilidade do imponderável, de driblar o tempo e congelar um fragmento da vida para depois dizer eu era assim ou nesta foto eu tinha tantos anos. Na fotografia paramos o tempo que passa inexorável . Ou seria nós que passamos por ele?